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4.11.13

Filha Minha


(Foto da net)

E já faz 6 dias que a S rumou para o Reino Unido, temos falado todos os dias pelo Skype, como as residências ainda não estão prontas, foram as meninas para um Hotel e os rapazes para lugares vagos em outras residências. Já conheceu o serviço, a enfermeira chefe que também é portuguesa, e esteve com amigas que estudaram na Guarda mas em anos diferentes.

Hoje começa a formação, vamos lá ver como a minha princesa se vai sair!

Parece-me feliz, e já fez algumas amizades, mas está alimentar-se mal, porque no hotel não pode cozinhar, e por isso vai comendo sandes, no sábado fez uma refeição num pequeno restaurante, e pagou 10 libras, espero que encontrem uma solução, e lhes arranjem um lugar para cozinhar, o combinado foi arranjar-lhes alojamento nas residências, onde tinham cozinha.

Estou com muitas saudades dela, aquele beijo ao chegar a casa aquecia-me a alma, hoje sinto um frio e um vazio incalculável, sei que esteve a estudar fora 3 anos, mas vinha muitos fins de semana a casa, e agora quando volta? Quando a poderei abraçar?

Eu Oh! Continuo triste :(



1.2.13

Filha Minha




Passou mais um semestre, e a S vem de férias para casa. Estou mesmo orgulhosa da minha princesa, conseguiu não ir a nenhum exame, estava com muito medo porque foi um semestre de muito trabalho e estudo, e embora consciente do seu esforço, tudo podia acontecer, e se fosse a exame não era mais do que as outras, mas eu ainda acredito que o esforço e a luta pelo que ser quer e que se acredita compensa.

E assim quatro anos passaram, falta mais um semestre para ver a minha Enfermeira formada. Vai fazer 3 meses de estagio num Centro de Saude e 3 meses num Hospital aqui no Porto. Hoje olho para tras e vejo os medos que tive, quando ela foi para a Guarda acabadinha de sair do Liceu! Com 19 anos deixei-a numa casa que partilharia com 2 pessoas que não conhecia, não sabia cozinhar quase nada, nunca esteve fora sem os pais e a familia, era bastante mimada, e ia ficar ali a estudar 4 anos se tudo corresse bem.

Na altura assustei-me imenso, chorei, sentia a falta dela, tinha um medo enorme do que poderia acontecer, nós pais que fazemos tudo em função dos filhos, nuna situação destas, e sobretudo se tivermos um unico filho, parecemos umas baratas tontas, na altura da praxe eu lia toda a informação, procurava sites que falessem das mesmas, aterrorizava-me saber o que faziam em algumas escolas! Todos os dias nos ligavamos, e enviamos algumas sms por dia. (e ainda hoje passados 4 anos, trocamos a sms da manha com o Bom dia! e a noite falamos um pouquinho todos os dias) Mas ela fez a praxe como uma guerreira, e não foi nada fácil, desde levar com maçãs podres, a levar com ovos e farinha na cabeça, deitar-se numa cova de terra num dia a noite e num pinhal como se fosse um enterro, ela fez tudo, e resistiu a tudo.

Com as colegas de casa as coisas não correram muito bem, mas procurou imdiatamente outro lugar para viver no mesmo ano lectivo, e foi  para o mesmo predio que morava uma amiga que conheceu na escola, hoje as maiores amigas e cumplices. Adaptou-se imedatamente as novas colegas de casa, e ate hoje continua no mesmo sitio. Aprendeu a cozinhar, a tratar de uma casa, a fazer compras e a poupar, sem me dar o minimo problemas, muito consciente do sacrificio que fazemos, ela tenta compensar-nos com o que pode, estudo e dedicação.

E foi muito bom deixa-la ir estudar para fora, no ano seguinte tinha a facilidade de vir estudar para perto de casa, mas decidiu ficar e acabar ali o curso, nestas decisões eu não sou de discordar, aceito e acho muito bom embore custe pela ausencia, nós sabemos que os filhos só são "nossos" enquanto são pequeninos, não podem ficar connosco eternamente, e como pais também não lhes podemos cortar as asas, temos que deixa-los voar mas sempre que possivel por perto, não vá uma asa partir ((*_~)) se partir nós estaremos sempre ali para ajudar a curar, mas depois voltam ao voo, e voltam e vão, ate que aprendem a curarem-se sozinhos, como nós agora que já temos pai ou mae.

Não sei filha se um dia vais ler isto, mas o orgulho que tenho em ti não cabe dentro do meu peito! Obrigada por fazeres com que a minha vida tenha sempre cor, mesmo naqueles dias muito cinzentos.

Eu Oh! Estou feliz ((*_*))