
Hoje a minha princesa fez 19 anos, sim no dia em que se comemora o dia da Liberdade!
Quando fiz a 2ª ecografia lembro de o médico me ter dito, a sua filha ou vai ser forreta, ou uma lutadora, eu perguntei porque, e ele disse-me a rir está de punho cerrado!
Bem, hoje passado 19 anos, posso dizer que sim, é lutadora e forreta tb, rsrs
Mas também lembro com saudade quando ia para a baixa do Porto de 24 para 25, e 25 toda a tarde a alegria do povo a festa que fazia.
Desde os meus 15 anos que acompanhava o meu pai, que foi sempre um defensor acérrimo da Liberdade. Infelizmente um acidente que sofreu, fez com que ele não pudesse ir a há alguns anos, e eu por consequência ou porque achei que já nada era igual também deixei de ir.
Mas recordo tudo com muita saudade, e recordo sobretudo o ultimo dia que fui a baixa e levei o meu pai depois do acidente, só para ele ver e sentir todas aquelas emoções mesmo doente, os olhinhos dele brilhavam o coraçaozinho saltava de alegria, porque nós o tínhamos levado! Mas nunca mais pode ir!
"Pai se tu soubesses como eu te queria bom, e poder ir contigo outra vez para a baixa comemorar esta data! Mas hoje estivemos juntos, conseguiste com muito esforço vir ao aniversário da tua neta!
Obrigada Pai kido
Viva o 25 de Abril e o que ele significa!
Eu oh!
2 comentários:
Viva...
Bj
F.
Parabéns para a tua Princesinha e também para ti querida que conseguiste dar a luz no dia da liberdade.
A minha "preguiçosa" não lhe apeteceu sair apesar do "saco das águas" ter rebentado nesse dia e obrigou-me a passar o resto do feriado e o dia a seguir (inteirinho) no hospital:-)
Bem mas não estou aqui para falar da minha "princesa" mas sim deste dia tão importante para nós as duas, e como já deixei este testemunho por aí, e se calhar já leste, vou deixá-lo também aqui. Nunca me disseste se o teu paizinho nasceu onde vives, mas o meu nasceu e quem sabe não se conheciam. Um dia teremos oportunidade de falar deles, mas de qualquer forma dá-lhe um grande beijinho meu e diz que o admiro muito:
O meu pai trabalhava na VA, foi um grande profissional e era muito inteligente. Lia muito, em matemática e português era uma "barra" e só tinha a antiga 3ª. Classe. Eu com 5 anos já escrevia o meu nome, conhecia os números e sabia muitas coisas, porque ainda era filha única e ele ensinava-me.
Era meio-dia desse fatídico dia o apito da fábrica tocou a minha mãe dirigia uma loja com os meus avós maternos, (que também vendiam louça) mas que davam almoço a mais de vinte trabalhadores da fábrica. Eu estava sentadinha à espera do meu pai na cozinha no topo de uma mesita onde ele comia com mais 3 colegas. Ele entrou muito triste, quase nem olhou para mim nem me fez a festa que costumava fazer. Levou a minha mãe para o quarto, e estiveram, lá fechados, algum tempo. Eu não entendia nada.
Saíram os dois com os olhos de quem tinham estado a chorar.
Ele não comeu, disse que não tinha grande fome, ela serviu os clientes com um olhar que eu desconhecia nela, perguntavam-lhe estás triste mulher? Ela abanava a cabeça a dizer que não.
Os funcionários da ex-Pide que aguardavam por ele na fábrica tinham-lhe transmitido para ele ir a casa, não contar nada a ninguém, que levasse alguma roupa, que dissesse à mulher que se calasse e que apenas ia para um interrogatório.
Ele chamou-me ao quarto e à minha mãe beijou-nos com lágrimas nos olhos e saiu, (apenas deixou que a minha mãe servisse os clientes, que só pagavam no fim de cada quinzena, quando recebiam).
À noite não voltou e eu não entendi nada, fazia perguntas e ninguém me respondia.:-(
A minha mãe só chorava. Depois apareceram lá em casa cinco mulheres amigas que choravam com ela (mulheres dos outros 5 que foram com ele). As seis foram a casa do Director da fábrica que não as atendeu, a seguir foram a Aveiro ao Governador Civil ao Dr. Vale Guimarães. Ele atendeu-as e transmitiu-lhes que eles estavam bem, em Coimbra, apenas para interrogatório. Uma delas da Vila de Vagos implorou de joelhos aos gritos que intercedesse por eles todos, que eram todos boas pessoas e que não eram contra o Governo. Ele tranquilizou-as dizendo que ia fazer alguma coisa.
E lá estiveram 6 Meses em Coimbra na penitenciária. Eu visitava-o sempre todas as semanas, íamos de comboio ou de autocarro.
Em Abril de 1974 o meu pai estava já doente na cama, mas ainda sorriu e viveu feliz aquele tempo que se seguiu.
Logo a seguir foi publicado o livro 25 de Abril que lho li e ele já à beira do fim.
Faleceu em Novembro desse ano, vítima de cancro.
VIVI O 25 DE ABRIL DE 1974, NA ALTURA COM VINTE ANOS DE IDADE, COM UMA ALEGRIA EXTAZIANTE, NA ESPERANÇA QUE TUDO MUDASSE E FELIZ PORQUE O MEU PAI TAMBÉM ESTAVA, E ATÉ PENSEI QUE OS MÉDICOS ESTAVAM ENGANADOS PORQUE SENTI MELHORAS NA SUA DOENÇA.
Vou aproveitar as tuas palavras:
Obrigada Pai kido
Viva o 25 de Abril e o que ele significa!
Eu oh!
Jinhosssssssssssss
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